Na cidade de Sylvia (no original, En la ciudad de Sylvia) é um filme que facilmente poderia ter sido realizado na época em que D. W.
Griffith fazia seus primeiros longas, porém decisivos filmes, o que não quer dizer que Na cidade de Sylvia seja uma produção ultrapassada ou que já nasceu
velho, pelo contrário, o filme utiliza e se apóia o mínimo e nas simples técnicas narrativas; campo-contracampo e quadros detalhados, mas sem
exageros de imagens. Logo, é um filme que poderia ter sido feito nos primórdios do
cinema narrativo e também, entre outras coisas, é um quadro sobre o tempo.
A trama é o mais simples possível: acompanhamos um turista
em paris do qual não sabemos o nome e que em determinado momento descobrimos
que ele esta na cidade em busca de Sylvia, mulher que ele conheceu seis anos
antes e que provavelmente teve algum tipo de relacionamento (algo que não é
confirmado, mas nem negado pelo filme).
O que ocorreu nesse encontro do turista e de Sylvia e o que se passou nesses seis anos pertencem
somente aos extra-campos do filme e a imaginação dos espectadores, mas o que
importa e que em seis anos a lembrança do rosto de Sylvia foi diluída, a
memória não é tão precisa, e o turista tenta a todo custo ter essa imagem desse
rosto feminino novamente, tentando esboça-ló em seu caderno de desenho e o
procurando na face das mulheres que passam; não só o tempo em si está presente
no filme mas sua ação sobre a memória é algo notável.

Mas se o turista procura uma mulher especifica, por que ele
olha por todas as mulheres que por ele passam? Porque qualquer uma pode ser
Sylvia, certamente, mas ela é todas as mulheres, e todo a cidade e tudo
nela (a cena em que vemos o reflexo do rosto feminino nos trens é representação
mais clara disso). Mas também porquê o filme também é uma mera desculpa para
que o que diretor José Luis Gerín faça seu elogio e
sua declaração de amor ao sexo feminino.
“Na Cidade...” também é um filme sobre o cinema em si, o
cinema enquanto uma arte cênica e lúdica, afinal assim como o turista, no final é claro que o espectador foi enganado, pela memória de nosso protagonista,
memória que aqui também surge como o
lúdico, e se iguala ao cinema.
Avaliação: 10/10
Esse filme não se passa em Paris, e sim em Estrasburgo, também na França.
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