terça-feira, agosto 28

Crítica: A Rede Social (2010)



Por Maurício Owada

Quando veio a notícia que fariam um filme sobre a criação do Facebook, logo cogitava-se que iriam fazer uma propaganda ao site de relacionamentos, mas com o tempo, entraram nomes de peso à equipe de produção, como David Fincher (Clube da Luta, Seven - Os Sete Pecados Capitais), e Aaron Sorkin (seriado The West Wing e o atual The Newsroom) no roteiro. Além de começar a escalar atores jovens como Jesse Eisenberg, Andrew Garfield e o cantor Justin Timberlake, e o que veio foi uma versão da história da construção do Facebook, baseado no livro Bilionários por Acaso, que dizia ser a biografia não autorizada de Zuckerberg e sua cria de bilhões de dólares.

O filme inicia com uma conversa caótica entre Zuckerberg e sua namorada Erica (Rooney Mara), e já começamos a ter uma ideia dos pensamentos e opiniões do criador do Facebook, em um diálogo que de forma relâmpaga culmina no fim do namoro, e saindo do bar sedento de "vingança", assume a face de um troll e difama a sua ex em um blog, bêbado, e ao mesmo tempo, faz uma enquete das meninas mais "gostosas" de Harvard. Usando fotos tiradas de computadores que hackeou, isso leva  muitas pessoas a lhe odiarem, a ser punido pela universidade e a chamar a atenção de alguns admiradores, como os gêmeos Winklevoss que pedem a sua ajuda para construir uma rede social de Harvard, porém, Mark, junto com seu amigo Saverin, faz uma rede social com suas próprias ideias e enrola os irmãos, quando se vê, os Winklevoss tinham sido passados para trás enquanto o The Facebook fazia sucesso em Harvard e expandia para outras universidades dos Estados Unidos.

Erica (Rooney Mara) e Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg)
Um dos acertos do filme é realmente o roteiro, onde Aaron Sorkin, conhecido por criar o seriado The West Wing que retratava os bastidores da Casa Branca, mostra também o que acontecia atrás de atualizações e programações do Facebook, os conflitos profissionais e, principalmente, pessoais, todos expostos em uma porrada de diálogos rápidos e inteligentes. A narrativa da criação do Facebook intercala com os processos contra Zuckerberg, o que nos faz ter ideia da consequência, dando também uma construção de filme de tribunal, mas apenas no final temos a consciência da causa, construída de forma eficiente graças a montagem, um dos pontos fortes na filmografia de David Fincher, que dá o tom certo à obra, uma lente fria e imparcial, jamais demonstrando piedade ou condenação. Fincher, aliás, está com menos exageros, numa direção que trabalha mais em função do roteiro, ainda com um olhar autoral, observando a formação da geração da última década, marcada pelo avanço da internet e o comportamento dos jovens de uma época que você pode conhecer alguém do outro lado do mundo sem sair de casa.

O elenco está excelente, principalmente Jesse Eisenberg que brilhante como o criador do Facebook, estudou o verdadeiro Zuckerberg, adquirindo os trejeitos e o modo de falar rápido e ininterrupto; Andrew Garfield tem carisma e Justin Timberlake é canastrão, o que combina com o personagem Sean Parker,  o paranóico criador do Napster, e Rooney Mara que tem o menor tempo de cena no filme, é excelente o suficiente para contracenar com Eisenberg em duas cenas muito bem escritas, principalmente a do barzinho citado anteriormente, mostrando realmente para o que viria em Millenium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres.

Um retrato da geração de começo do século XXI, David Fincher faz uma nova observação da nossa sociedade moderna (comum em sua filmografia), mas não mais civilizada, em tempos em que o acesso a um gigante fluxo de informações se tornou extremamente democratizada, porém não nos torna melhores do que as pessoas de antigamente, nem piores. É apenas nós aprendendo a condicionarem as invenções, tão exatas, em uma gama de complexidades tão tortuosas como a natureza humana.

Avaliação: 10/10

3 comentários:

  1. O longa é o retrato do mundo atual, onde dinheiro, poder e sucesso estão acima das amizades e de qualquer tipo de relacionamento verdadeiro, infelizmente, mas não deixa de ser um grande filme.

    Abraço

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  2. Acho um tantinho superestimado (não chega a ser a obra-prima que diziam ser), mas é uma grande realização de Fincher, sem dúvidas.

    http://avozdocinefilo.blogspot.com.br/

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