terça-feira, agosto 14

Crítica: Buena Vista Social Club (1999)



Buena Vista Social Club é o nome de uma famosa e antiga casa de shows cubana que existia em havana e sobreviveu até meados de 1950 e onde muitos músicos de grande importância da musica cubana haviam se apresentado. O nome da casa de shows acabou sendo usado pelo guitarrista  e produtor musical americano Ry Coode em seu muito bem sucedido disco gravado em Cuba com varias lendas da musica cubana. O álbum Buena Vista Social Club  foi gravado em havana no Egrem Estúdios, legendários da musica cubana, com  boa maioria músicos locais com mais de 60 e alguns com mais de 70 anos, mas infelizmente esquecidos por anos, o disco fez uma grade sucesso internacional, rendendo prêmios de grande importância como o Grammy além de revitalizar a fama dos músicos latinos em seu país natal e render um grande sucesso, de público e critica, que o guitarrista Ry Coode não teve por anos. Um como esse disco obviamente merece um registro a altura, então com direção de um documentário homônimo, Buena Vista Social Club, entrega ao alemão Win Wenders podia se esperar o melhor, mas o resultado fica bem longe do esperado.


Em um documentário sobre um determinado artista, os fã desse terão interesse em  assisti-ló, logo se espera que o realizador seja inventivo para que o filme não caia no lugar-comum e que  alcance um publico mais amplo do que os fãs, mas em Buena Vista Social Club não encontramos nenhuma sacada genial de outros documentários do diretor, nada como a ideai de juntar vários diretores de estilos totalmente diferentes em um quarto de hotel para discutir o futuro do cinema como em  Quarto 666 (1982), ou fazer um panorama comparando a cidade de Tokyo dos tempos atuais com a mostrada nos filmes de Ozu em Tokyo-Ga (1985).

A estrutura do documentário é desprovida de maiores riscos: o diretor  se limita, na maior parte de sua duração, em alternar cenas de depoimentos dos músicos sobre sua vida e sua relação com a música e cenas onde os músicos tocam as músicas do disco em um show, certamente que é interessante conhecer mais sobre a vida desses músicos e as canções são belas, mas o filme parece mais um documentário feito para a televisão, não muito diferente de vários outros documentários sobre música que tem seu valor para quem quer conhecer a melhor determinado artista mas tem um valor cinematográfico bem limitado, o que pode ser bem decepcionante.

O documentário ainda falha em querer estabelecer certas coisas, a principal delas e que existe um grande  amizade entre Ry Coode e os velhinhos cubanos, sendo que fica claro que a relação entre eles é apenas profissional, isso acaba rendendo cenas um tanto constrangedora como a em que Coode aparece ao lado de alguns destes rindo e conversando, por meio de um interprete, pois o músico nem sequer fala espanhol, a cena acaba exercendo o oposto do que era pretendido, reforçando a imagem de que a relação de Cooder e dos músicos é estritamente profissional.

Alguns  dos poucos momentos fortes do filme se encontram no seu inicio e em seu final, quando o diretor se afasta da estrategia de alternar as cenas de show e entrevista. No inicio temos a cena em que vemos um dos músicos passando pelas ruas de havana, e perguntando para os moradores onde ficava a antiga casa de show Buena Vista Social Club, uma cena bem intrigante; e na passagem final, em que alguns músicos da Buena Vista Social Club vão as ruas de Nova York e se deslumbram com “exotismo” da cidade, se encantam com os prédios e com as vitrines das lojas, coisas que nunca viam em Cuba, algo que não deixa de ser irônico, pois grande parte do sucesso da música latina e por consequencia desse documentário nos EUA e na Europa se deve ao fator exótico. Mas pode-se notar que para esses velhinhos que nunca saíram de Cuba a metrópole de Nova York é um lugar bem peculiar.

Avaliação: 6/10






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