terça-feira, junho 18

Crítica: Garotos de Programa (1991)



Por Wendell Marcel


"Mais nostálgico do que realmente bom"

O cinema de Gus Van Sant chegou no seu auge no começo do século XXI, surpreendendo a todos - menos a esse que escreve - com sua obra Elefante (Elephant, 2003). Nos seus títulos anteriores, ele se esforça mais para contar sua história por meio de uma linguagem mais leve e didática, com a exceção deste Garotos de Programa (My Own Private Idaho). No entanto, com Idaho o diretor tenta alcançar um estilo de narração que faça jus a  inspiração da história, a obra teatral de William Shakespeare. Não conseguiu.

O longa tem mais clima do que uma história realmente interessante. A energia que ronda o filme é devido a morte precoce, nos anos seguintes, do ator River Phoenix; ao estrelato global de Keanu Reeves e a consolidação do diretor em um bom contador de fatos naturais, como a vida e a morte. São aparências que levam o espectador - pelo menos eu - a sentir que algo transcendente existe nesta obra, marcada por acontecimentos que levaram a sua equipe ao status do que são hoje. Aliás, é neste filme a maior atuação de Phoenix, uma espécie de prodígio, assim como o foram James Dean e Sal Mineo.

A primeira cena que temos é Mike (Phoenix) identificando e conhecendo a estrada, que ele acredita alguma vez já ter passado por ali. O garoto sensível não só está perdido entre suas eloquentes e fantásticas concepções de mundo, como também não encontra a única essência, a sua origem, que pode explicar a razão da sua vida. Junto com Scott (Reeves) eles buscam o que seria a arkhé de Mike, e nesse meio tempo, o rapaz que possui uma interessante doença chamada narcolepsia (quando exposto a situações tensas, ele sofre um ataque neurológico e dorme por algumas horas), se apaixonada pelo filho rebelde do prefeito. A história toda não tem graça, mesmo que exista entre suas facetas e camadas algumas metáforas preliminares do que significa "origem", "lar" e "noção de tempo e memória". Depois que os dois viajam pela América, vão até a Itália e retornam, separadamente, para os seus "habitats naturais", são encontrados envolta de seus próprios mundos. Enfim, acolhidos pelas suas origens que não tardarão a criar novas vítimas.

Quando o título se refere a garotos de programa, a primeira ideia que tive foram sobre vida e dificuldades que esses indivíduos enfrentam. Também; mas a fraca explanação visual de Gus Van Sant não possibilita o espectador, junto com os personagens, identificar e problematizar, no primeiro e segundo ato, e por conseguinte solucionar as incertezas que rondam cada um. É tudo muito jogado e mal escrito, até, em algumas passagens. Como já disse, o grande enfoque aqui é (são)  a (s) atuação (ções) de River Phoenix, atemorizado pelos seus medos, e receios de conhecer e viver num mundo enegrecido. São dois, três ou vários Mike's. Ele interpreta o texto da forma mais profunda, a mente e a busca por algo. O nostálgico, neste filme, é que ele nunca encontra; pois sempre esteve com ele, mesmo não sabendo disso.

Nota: 5,0/10,0




Trailer:

3 comentários:

  1. Concordo, só fui ver esse filme por causa do Phoenix, ai foi bem maçante.... ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
    Que filme chato e que força uma poética que não tem, o melhor é as cenas de sexo.
    ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

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  2. Um filme chato mesmo. Apesar de amar esses dois atores e concordar que mesmo o filme sendo ruim, as atuações são excelentes, mas não vale a pena assistir. Eu vi o filme em 92 ou 93 com meus pais, que pararam a fita cassete dizendo que o filme era pesado, E eles tinham razão! Não era para minha idade. Tinha visto todos os filmes do River Phoenix... menos esse. hoje em 2016 o assist e não gostei. Essa estória de virar garoto de programa e transar com gays para agredir o pai, do irmão contar pro personagem do River sobre a mãe que procurava homens, rebooava, dormia com uma arma, e matou o pai dele, e ele responder que sabia que o irmão que era o pai... como assim? O filho transava com a mãe? Não assistam

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