terça-feira, fevereiro 17

Crítica: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014)


Por Maurício Owada

"A relação da arte, entretenimento e crítica
num filme com alguns excessos, mas feito com esmero técnico"

Quando Crepúsculo dos Deuses termina com Norma Desmond (Gloria Swanson), ensandecida caminhando em direção à câmera, percebíamos a fragilidade das almas humanas mascaradas nas grandes telas que recheavam as salas todos os dias naquela época, quando o cinema era um programa de entretenimento rotineiro - a Era de Ouro da indústria hollywoodiana. Atores e atrizes vendidos como produtos nas telas como heróis para as grandes massas que consumiam pipoca diante de histórias agradáveis ou eletrizantes, dependendo do gosto do público.

Iñárritu e seus três roteiristas resgatam o espírito de Billy Wilder, trazem o olhar crítico e ácido sobre todos os elementos da indústria cinematográfica atual, desta vez sob o olhar de Michael Keaton/Riggan Thomson, que anos atrás fora uma grande estrela quando fez Batman/Birdman, mas que ultimamente via sua carreira em baixa, esquecido pela mídia, fora dos trending topics, esnobado pela crítica especializada devido a vida dedicada à uma indústria que faz filmes para lucrar, a mesma que o deixou de escanteio e então, decide fazer o maior trabalho de sua carreira, que a impulsione e o leve a ser ovacionado: um filme sobre ele e a indústria/uma peça de teatro - esse paralelo de filme e realidade é denotado pelo retrato do cinema atual e a busca de celebridades por obras de pretensões mais artísticas para serem levados a prêmios de prestígio como o Oscar.

As grandes indicações do filme e principalmente do ator principal reforça toda a ironia que Iñárritu retrata num humor negro que se desenrola em um quarteirão que envolve o teatro, que serve de palco para todos os personagens envolvidos na peça que Riggan escreve e dirige - um salto artístico que muitos enxergam com desconfiança e desdém. Filmado como se tudo fosse um único plano-sequência, Iñárritu utiliza de closes em objetos para dar transição para outro local, mas pela utilização excessiva, acaba havendo exageros de câmera, mas que serve de propósito artístico para captar as atuações quase como um teatro, aonde os atores interagem nos corredores do camarim para lá e para cá como se fosse tudo uma peça, aonde as paredes não são limites para a câmera, que passeia pelo cenário e foca sua atenção em cada coisa que encontra pelo caminho, ainda servindo de testemunha para as ilusões espetaculares de Riggan.

Birdman é um humor negro transgressor e não poupa a indústria e suas "celebridades" e nem a famosa crítica nova-yorquina, conhecida pela exigência e pelas críticas tanto engrandecedoras quanto esmagadoras. Alejandro González Iñárritu traz um panorama de um homem que busca o retorno de um prestígio maior do que já teve antes, um homem que enxerga numa peça de teatro, o degrau para algo além da própria fama, mas do reconhecimento. Irônico, para um filme que concorre ao Oscar.

Nota: 9,0/10,0





Trailer:


2 comentários:

  1. Um dos melhores filmes do ano. Na minha opinião, é o que deveria ganhar o Oscar.

    http://filme-do-dia.blogspot.com.br/

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    1. Ainda sou favorito por Boyhood rsrs não acho que Birdman tem que levar, apesar de ser um filme excelente

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