domingo, junho 3

Crítica: Alien - O Oitavo Passageiro (1979)


Por Maurício Owada

Ridley Scott antes de seu reconhecimento de sua obra atemporal Blade Runner - O Caçador de Andróides (Blade Runner, 1982), e de sucessos comerciais como Gladiador (Gladiator, 2000), o cineasta mostraria para o que viria em uma ficção-científica misturada com terror, Alien - O Oitavo Passageiro (Alien, 1979) , que se tornaria uma das obras mais cultuadas dos últimos tempos, principalmente por aficionados pelo gênero sci-fi, além de um excelente clima de tensão, em uma época em que o terror não era apenas tripas, sangues e mutilações, o medo se exalava no clima de paranoia e caos que se aprofundava, principalmente se levarmos em questão que era um grupo de pessoas em uma nave, no espaço, longe de casa com um alienígena altamente perigoso que acabara de sair da barriga de um amigo deles.

Ridley Scott acerta a mão em não definir o protagonista definitivo do filme, ou seja, ele cria mais uma estrutura de filmes de terror e suspense, em que se conhece cada personagem (no caso, a tripulação), e ao mesmo tempo eles vão sendo impiedosamente mortos pelo xenomorfo, e a personagem principal só se revela no final. A câmera desliza devagar naquele cenário escuro e claustrofóbico, o cineasta não tem pressa em criar logo um clima de terror, tudo isto ele constrói aos poucos.

O elenco é de primeira, John Hurt, Sigourney Weaver, Tom Skerrit, Veronica Cartwright e Ian Holm fazem um excelente trabalho, o roteiro também é competente a revelar pouco a pouco o porquê deles terem parado naquele planeta inóspito que mais tarde traria um grande problema a eles para dentro da nave. Nenhum personagem apresenta no começo a personalidade de um típico protagonista, o que humaniza todos os personagens, mostrando cada um em suas devidas personalidades, em que só estão ali passando por esse risco não por uma conduta moral, mas por protocolo inscrito pela empresa de mineração espacial por qual trabalham, em que se esconde uma sinistra diretriz na programação do computador da nave em que estão tripulados, fazendo uma forte crítica ao corporativismo que visa apenas o lucro e à indústria bélica, ainda mais tendo em conta o período histórico em que o filme foi feito, e isso se destaca num diálogo do personagem Ash, interpretado por Ian Holm.

A parte técnica é ótima, incluindo a direção de arte como o design interior da nave com um visual mais industrial do que a de um ônibus espacial e claro, o design do próprio Alien, sendo este até hoje um dos ícones mais pop atualmente, apesar de não ter sido feito para este intuito. A fotografia sombria ajuda a construir o clima enquanto a parte sonora traz um tom bastante tenso ao filme, destaque ao som agudo que o Alien ruge.

O impressionante é mostrar, sem precisar explicar muito ao estilo "final de um episódio de Scooby-Doo" toda a biologia deste ser a parte, aproveitando de teorias darwinianas para trazer toda uma verossimilhança aos seus funcionamentos orgânicos, criando realmente um ser extremamente fascinante em como faz para sobreviver, em que ao mesmo tempo é assustador pelo que faz, também, para sobreviver.

Um marco do cinema de ficção-científica, em que se misturara ao terror (cuja fórmula seria poucas vezes bem empregada futuramente), e um marco na carreira do diretor Ridley Scott, revelando um realizador que traria ótimos filmes ao longo de sua carreira, apesar de uma carreira irregular, mas que demonstra uma segurança em conduzir filmes densos, e com a vinda de Prometheus (idem, 2012), o prelúdio deste filme que fora analisado, Ridley Scott ainda consegue despertar interesse e curiosidade por um material já explorado.

"No Espaço Ninguém Pode Ouvir Você Gritar."

Nota: 8,5/10,0







5 comentários:

  1. Belíssimo texto recordando um dos meus filmes de ficção favoritos, que me recorda minha infância toda vez que revejo, o que me estimulei a fazer depois dessa agrável leitura! Parabéns Maurício. Grande abraço

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  2. O roteiro desse é realmente algo muito raro de se encontrar no gênero, Dan O'Bannon constrói uma trama claustrofóbica e tensa, cheia de metáforas, enquanto Scott dá conta do aspecto sombrio e arrepiante do longa. Ótimo texto, Mauricio.

    http://iludidos.wordpress.com/

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  3. Belo texto. Muito bem de lembrar Darwin e não Alfred Russel (o verdadeiro autor da Teoria da Evolução). Para Russel o que ocorre no filme seria totalmente inverossímil, já que ele era espiritualista(não cria que pudesse existir bestas indomáveis na criação).
    Algo que até hoje me questiono... teria sido os humanos o primeiro a "hospedar" tal gênero de criatura?

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