sábado, junho 16

Crítica: Os Bons Companheiros (1990)



"Tudo que eu me lembro é que eu queria ser um gângster."

Dessa frase se inicia uma das obras que trazia uma nova cara ao gênero gângster, ainda muito focado nos mafiosos dos anos 20 e 30, não que tenham perdido seu charme, mesmo após O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972) que traria um abordagem mais realista e humanizada daqueles "homens de negócio".

domingo, junho 10

Os (E)Namorados da Telinha (2012)

Por Wendell Marcel

Em homenagem ao Dia dos Namorados, o E Aí, Cinéfilo, Cadê Você? fez uma seleção de filmes que emplacam esse gênero tão romântico e lacrimejoso, que é o romance (impossível ou não). A seguir, dez filmes que mostram os diversos problemas no amor, e as várias formas de amar.


Bella e Edward, da saga Crepúsculo

Mesmo a história dos pombinhos sendo no começo da saga um triângulo amoroso, o problema depois é o perigo que um proporciona ao outro, e contra isso o prazer entre os dois.


Crítica: O Espião Que Sabia Demais (2011)


Os minutos iniciais de O Espião Que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011), definem o que se passarão nos longos minutos restantes do longa de Tomas Alfredson, desde o estilo de direção, o roteiro em forma de quebra-cabeça (literalmente, algo que você perceberá só no final do 2º ato), as atuações cheio de nuances e pequenos gestos e olhares, o ritmo (bem lento, permanecendo assim do começo até o fim de forma contínua) e o clima paranoico que paira entre todos os espiões da Circus, agência secreta do governo britânico na qual eles trabalham.

Há muitos que dirão que o filme é confuso, e sim ele é, mas para um filme ter sido feito com todo aquele cuidado técnico, seja na fotografia que utiliza ângulos distantes em 3ª pessoa ou nos olhares sempre alertas e desconfiados dos personagens, com atenção nos mínimos detalhes a sua volta, é difícil de acreditar que aquilo tenha sido um deslize, e muito menos um defeito do roteiro ou da montagem, já que sua estrutura condiz com aquilo que o filme realmente propõe.

O filme começa com a informação de que há um traidor, ou como eles dizem, um "toupeira" infiltrado na agência britânica, e Control (John Hurt) que é o chefe da agência e Jim Prideaux (Mark Strong) sabem disso, apenas precisam do codinome, mas a missão termina de forma desastrosa e trágica, e Control sai do comando, morrendo posteriormente. Mas aí, fora do parâmetro do Circus, George Smiley (interpretado maestralmente por Gary Oldman) é designado a investigar a teoria de Control sobre quem é o tal toupeira, e a partir daí, o quebra-cabeça começa a se encaixar aos poucos através de pistas deixadas pelo seu mentor, digamos que o roteiro tem uma estrutura de certo modo parecida com Pulp Fiction (1994), mas ao invés de pegar três histórias e desencaixá-las, ele utiliza flashbacks entre sub-tramas e a trama principal (a investigação de Smiley), fazendo ele todo se encaixar no contexto final de uma forma ainda mais complexa.

A direção é de uma sutilidade e uma elegância pouco vistas atualmente, dando importância aos detalhes, ao desenvolvimento dos personagens e a construção do clima sufocante, sendo suportada pela atuação de um grandíssimo elenco, senão, a melhor dos últimos tempos contando com atores de alto nível como os já citados anteriormente, como Tom Hardy, Colin Firth, Benedict Cumberbatch, Ciarán Hinds e Toby Jones; além da ótima fotografia que reforça o fato de alguém estar os observando ou a solidão que cada um ficou fadado a conviver devido a profissão, sendo que suas vidas particulares (grande acerto do roteiro em explorá-las) são problemáticas e instáveis, seja pela falta de fidelidade do parceiro ou por ambos não poderem se relacionar por causa de tabus da época; ou a trilha-sonora de Alberto Iglesias, de um som requintado e que reforça ainda mais o suspense sobre a trama.

Diferente de muitos filmes cujo mistério será revelado no final, ele não tende a querer chocar o público com a revelação do toupeira, já que além de ser um filme frio e distante entre personagem/espectador, todos ali são tão suspeitos que não chega a ser um susto descobrir a maçã podre da cesta, além disso, isso nem é a sua proposta e sim dar um parâmetro total daquela realidade acerca da Guerra Fria, tão silenciosa e ao mesmo turbulenta que dividiu o mundo e definiu a geografia do cenário mundial atual, em que ela não afetou apenas países e povos, mas também indivíduos, principalmente aqueles que sabiam demais, cujo medo vinha de ocultos interesses alheios do alto escalão da política das duas grandes potências mundiais e seus envolvidos.

"Um homem deve saber a hora certa de sair de uma festa."


Nota: 9,5/10,0






sábado, junho 9

Crítica: Deus da Carnificina (2011)


Por Kaio Feliphe

"Se tratando de Polanski, um filme menor."

Geralmente, as pessoas escolhem os filmes que vão assistir ou pela história que eles vão contar ou pelo gênero apresentado. Mas também têm aqueles que nos interessamos só de olhar a equipe que trabalhou nela, sem nem sequer saber sobre o que se trata. Um ótimo exemplo disso é Deus Da Carnificina (Carnage, 2011), obra do renomado e brilhante diretor franco-polonês Roman Polanski. Só por ele muitos já ficariam curiosos, mas o elenco pequeno e estelar também é um grande atrativo, pois é composto por nomes como Jodie Foster, John C. Reilly, Kate Winslet e Christoph Waltz.

O longa conta a história de dois casais que tiveram um problema com seus filhos (um deles agrediu o outro com um pedaço de madeira) e decidiram resolver conversando pacificamente, mas acabam discutindo outros assuntos com o decorrer do tempo. A briga que desencadeou tudo isso é muito bem mostrada na introdução do filme, ao fundo dos créditos iniciais. Mas daí em diante, não é difícil de perceber o clima teatral que o filme tem, principalmente por ser baseado em uma peça da roteirista francesa Yasmina Reza, Le Dieu Du Carnage. O trabalho de câmera de Polanski não deixa de ser ótimo, passeando pelo espaço físico limitado que tem (um simples apartamento), mas o filme não deixa de parecer apenas uma peça filmada.

O roteiro é o grande problema da obra. É possível notar que algumas cenas são excessivamente exageradas, que talvez funcionassem no teatro, mas nas telonas essa tentativa foi falha. O desenrolar dos diálogos também não soa natural, principalmente com Michael Longstreet, personagem de John C. Reilly, que simplesmente de uma hora para outra deixa de ser o pai bondoso do agressor a um homem machista e ignorante. Mas as atuações não são um problema, pelo contrário, são, ao lado da direção, o ponto alto do filme. O próprio Reilly e principalmente Christoph Waltz estão muito bem em seus personagens. Alan Cowan (Waltz) é o mais engraçado da trama, com seus problemas de trabalho e seu celular que toca a cada minuto. Winslet, mesmo com alguns pequenos exageros, também atua muito bem, em uma Nancy Cowan que vai de uma doce e meiga esposa a uma bêbada "linguaruda". Porém, a grande atuação é da genial Jodie Foster. Talvez isso se deva ao seu personagem, que é o mais profundo dos quatro. Penélope parece ser a única que realmente quer resolver aquele problema e finalmente acabar com a discussão, além de que a sua “transformação” seja a mais natural entre eles.

Deus Da Carnificina é um ótimo trabalho de diretor e elenco, mas que o roteiro bagunçado quase estraga seu resultado final.  Porém, dificilmente esse clima teatral tão prejudicial deixaria de existir em outro roteiro, já que a história é propícia a isso. Deixando isso de lado, o longa se sai muito bem dentro de suas limitações. Como sempre, Polanski realiza, no mínimo, um bom trabalho. Ver seu nome na equipe de qualquer filme é garantia de coisa boa. Pelo menos isso Deus Da Carnificina é.

Avaliação: 7/10





Trailer:


domingo, junho 3

Crítica: Alien - O Oitavo Passageiro (1979)


Por Maurício Owada

Ridley Scott antes de seu reconhecimento de sua obra atemporal Blade Runner - O Caçador de Andróides (Blade Runner, 1982), e de sucessos comerciais como Gladiador (Gladiator, 2000), o cineasta mostraria para o que viria em uma ficção-científica misturada com terror, Alien - O Oitavo Passageiro (Alien, 1979) , que se tornaria uma das obras mais cultuadas dos últimos tempos, principalmente por aficionados pelo gênero sci-fi, além de um excelente clima de tensão, em uma época em que o terror não era apenas tripas, sangues e mutilações, o medo se exalava no clima de paranoia e caos que se aprofundava, principalmente se levarmos em questão que era um grupo de pessoas em uma nave, no espaço, longe de casa com um alienígena altamente perigoso que acabara de sair da barriga de um amigo deles.

Ridley Scott acerta a mão em não definir o protagonista definitivo do filme, ou seja, ele cria mais uma estrutura de filmes de terror e suspense, em que se conhece cada personagem (no caso, a tripulação), e ao mesmo tempo eles vão sendo impiedosamente mortos pelo xenomorfo, e a personagem principal só se revela no final. A câmera desliza devagar naquele cenário escuro e claustrofóbico, o cineasta não tem pressa em criar logo um clima de terror, tudo isto ele constrói aos poucos.

O elenco é de primeira, John Hurt, Sigourney Weaver, Tom Skerrit, Veronica Cartwright e Ian Holm fazem um excelente trabalho, o roteiro também é competente a revelar pouco a pouco o porquê deles terem parado naquele planeta inóspito que mais tarde traria um grande problema a eles para dentro da nave. Nenhum personagem apresenta no começo a personalidade de um típico protagonista, o que humaniza todos os personagens, mostrando cada um em suas devidas personalidades, em que só estão ali passando por esse risco não por uma conduta moral, mas por protocolo inscrito pela empresa de mineração espacial por qual trabalham, em que se esconde uma sinistra diretriz na programação do computador da nave em que estão tripulados, fazendo uma forte crítica ao corporativismo que visa apenas o lucro e à indústria bélica, ainda mais tendo em conta o período histórico em que o filme foi feito, e isso se destaca num diálogo do personagem Ash, interpretado por Ian Holm.

A parte técnica é ótima, incluindo a direção de arte como o design interior da nave com um visual mais industrial do que a de um ônibus espacial e claro, o design do próprio Alien, sendo este até hoje um dos ícones mais pop atualmente, apesar de não ter sido feito para este intuito. A fotografia sombria ajuda a construir o clima enquanto a parte sonora traz um tom bastante tenso ao filme, destaque ao som agudo que o Alien ruge.

O impressionante é mostrar, sem precisar explicar muito ao estilo "final de um episódio de Scooby-Doo" toda a biologia deste ser a parte, aproveitando de teorias darwinianas para trazer toda uma verossimilhança aos seus funcionamentos orgânicos, criando realmente um ser extremamente fascinante em como faz para sobreviver, em que ao mesmo tempo é assustador pelo que faz, também, para sobreviver.

Um marco do cinema de ficção-científica, em que se misturara ao terror (cuja fórmula seria poucas vezes bem empregada futuramente), e um marco na carreira do diretor Ridley Scott, revelando um realizador que traria ótimos filmes ao longo de sua carreira, apesar de uma carreira irregular, mas que demonstra uma segurança em conduzir filmes densos, e com a vinda de Prometheus (idem, 2012), o prelúdio deste filme que fora analisado, Ridley Scott ainda consegue despertar interesse e curiosidade por um material já explorado.

"No Espaço Ninguém Pode Ouvir Você Gritar."

Nota: 8,5/10,0







segunda-feira, maio 28

Crítica: MIB - Homens de Preto 3 (2012)

Enquanto redijo essa introdução, assisto aos créditos finais de MIB - Homens de Preto (Men in Black, 1997) e concluo que a aventura está longe de ser um grande filme, com uma direção convencional, um clímax bem meia-boca e um final nada apropriado para uma possível franquia (esse, um erro que maximiza a condição de mero caça-níquel de MIB - Homens de Preto II [Men in Black II, 2002]). Nem os efeitos especiais são tão revolucionários quanto se pensava na época, viva em minha mente. Men in Black tem como ponto alto a atuação de Will Smith, que se revelava mais que um comediante em ascensão, um futuro grande astro de Hollywood, além de um aspecto ignorado no dispensável Men in Black II e que retorna com fôlego novo na estreia da semana, MIB³ - Homens de Preto 3 (Men in Black 3, 2012): a magia do universo co-habitado por criaturas de outro mundo, "bombado" com uma viagem no tempo que promove diversas referências à efervescente década de 60 nos Estados Unidos.

Apesar do pé atrás com relação a MIB³, não tem como não se empolgar ao ver que o diretor Barry Sonnenfeld mantém a trilha e os créditos iniciais originais, um dos ensinamentos de George Lucas a quem pretende criar uma franquia clássica - ainda mais sendo um misto de aventura e ficção científica, como "Star Wars". O ponto alto em sua introdução, porém, é reservado pela entrada da belíssima Nichole Scherzinger (ex-Pussycat Dolls, namorada do piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton), uma espécie de femme fatale que ajuda na fuga do terrível vilão Boris, O Animal (Jermaine Clement) da prisão lunar em que cumpria pena perpétua. O destino de Boris é a Terra, onde vai utilizar uma máquina no tempo para assassinar o agente K (Tommy Lee Jones), que no momento de sua detenção decepa-lhe um braço. O problema maior é que K também foi o responsável pela instalação da Rede Arc, campo de força que impede a invasão da raça comandada pelo mesmo Boris. Assim, o agente J (Smith) precisa salvar seu parceiro e amigo, o que também impedirá a extinção de nosso planeta.

Como pode-se ver, o primeiro ato é simples, mas bem desenvolvido e que permite uma história sem muitos furos. O pequeno incômodo causado na primeira meia hora de projeção são algumas gags discutíveis, como a exploração de um sotaque alienígena (quem ainda ri disso, for Christ's sake?) e quando K enquadra um alien e o empurra contra uma fileira de panelas à altura de sua cabeça - esta pueril como um episódio da Turma do Didi. Essas, porém, são meras ressalvas em um longa-metragem que não se arrisca muito e capricha no que se propõe. 

Os efeitos visuais, por exemplo, são suficientes, não exagerados como no fatídico MIB 2. Tecnicamente, o que há de mais ousado é a dublagem de Tommy Lee Jones sobreposta à de Josh Brolin, versão jovem do agente K, e o efeito, embora engraçado, beira a perfeição. O formato 3D é dos mais precisos. Sutil, quase imperceptível, em 80% do filme, o que poupa a vista do espectador para momentos propícios, como na ótima e interativa cena em que J viaja no tempo. Aliás, a viagem no tempo foi uma sacada genial de Will Smith, que se disse realizando um sonho de criança com a incorporação de sua ideia pelo roteirista Etan Cohen (apenas a colocação da letra H para diferenciar seu nome do consagrado Ethan Coen, de Fargo - Uma Comédia de Erros [Fargo, 1996] e Onde os Fracos Não Têm Vez [No Country For Old Men, 2007).

Assim que desembarca no ano de 1969, o agente J presencia hippies, músicas e costumes da contracultura (Woodstock na veia!), o que nos situa à época com eficiência e, surpreendentemente, contribui para o ritmo do longa. Mérito do roteiro explorar o talento de Smith como comediante para criar situações engraçadas, dando uma breve mostra do que era o racismo naquele tempo conturbado (um ano após a morte do ativista político Marthin Luther King) e o sentimento de que aquele "foi um ano ruim para os humanos", auge da Guerra Fria e da Guerra do Vietnã, como diz Jeffrey Price (Michael Chernus).

Nesse cenário de plena efervescência, como não podia deixar de ser, o jovem agente K vai colher informações com o agente W e, adivinhe: Andy Warhol, numa versão ainda mais caricata, alourada (ou seria esbranquiçada?), achincalhada do artista pop, o que reserva alguns dos momentos mais verdadeiramente engraçados do ano. A propósito, Etan Cohen faz ótimo uso de tipos variados de referências, destinadas a arrancar risadas (a ideia das celebridades alienígenas, única herança proveitosa de MIB 2, apontando tipos estranhos como Lady Gaga, Justin Bieber, Tim Burton, aparentemente o astro do futebol David Beckham [?], e o vocalista da hoje cinquentenária banda Rolling Stones, Mick Jagger, citado como um extraterrestre que veio ao mundo procriar) e acontecimentos históricos como a ida do homem à Lua e a improvável vitória dos New York Mets na World Series de Baseball em 69, fatos funcionais e orgânicos à trama.

Como avaliação comparativa entre o original e este MIB³ - Homens de Preto 3, me arrisco a dizer que a trilogia se encerra (será? Duvido!) com seu melhor capítulo, "redondinho". Maior prova disso é a amplificada amargura do envelhecido agente K, que jovem agente se mostrava um homem que amava a vida, ao ponto de se permitir um discreto affair com uma amiga de trabalho. Assim, descobrir o motivo de sua transformação emocional se torna uma mola propulsora que nos faz esperar o que terá provocado sua conhecida amargura. No final das contas, o roteiro não deixa pontas soltas, reserva um terceiro ato tão satisfatório e emocionante que faz o novato da cinessérie, Josh Brolin, protagonizar o ponto alto da franquia e, de quebra, preenche (e evidencia) um furo na produção de 1997.

Grata surpresa que faz dele mais que um filme imperdível aos fãs da série e/ou dos quadrinhos que a inspirou, mas uma agradável sessão indicada a toda família.

Via Agência Infoco News 
Avaliação:  7/10



Crítica: Bravura Indômita (2010)


Por Wendell Marcel

"O novo filme dos Coen é tão bom quanto o original"

Em 1969 John Wayne interpretou um pistoleiro bêbado e caolho numa fantástica história de Velho Oeste. O filme contava a perseguição do Xerife 'Rooster', da jovem Mattie Ross e do solidário porém ganancioso senhor LaBoeuf, em busca do assassino Tom Cheney, que matara à sangue frio o pai da mocinha nada frágil. O roteiro era baseado no romance de Charles Portis, e a direção assinada por Henry Hathaway. O curioso da versão original de Bravura Indômita (True Grit) de 1969, é que o filme proporcionou ao monstro John Wayne seu primeiro e único Oscar de Melhor Ator. Nos mais de seus 50 filmes anteriores ele apenas provou que a imagem de um sujeito desolado e de caráter forte conseguia criar uma imagem de homem carrancudo, na medida em que ordenava aos personagens marcantes de sua carreira, como o cowboy Ringo Kid de No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939) uma personalidade que seria para sempre fator comum a todos os demais personagens do gênero western. Em 2010 a refilmagem deste filme soou superior ao original, modernismo e peculiaridades dos realizadores Ethan e Joel Coen.

No ano em que o famoso cineasta francês Jean-Luc Godard foi homenageado na entrega do Oscar de 2011, a refilmagem do clássico de Hathaway dos irmãos Coen também foi reconhecido por suas qualidades indefectíveis. Dessa vez, Jeff Bridges, Hailee Steinfeld e Matt Damon interpretam o trio parada dura. Com algumas modificações nas passagens do tempo, os Coen adiantam o enredo, e colocam Mattie e Rooster numa relação mais vagarosa, refletindo a necessidade das personagens em incorporar as características evocativas dos dois, igual como no roteiro original de Portis. Já o ranger texano LaBoeuf é afastado parcialmente das complicações centrais da história; e ainda a apresentação do federal Rooster é feita quando ele está defecando numa casinha de madeira, no meio do nada, e totalmente desvinculado de uma imagem de nortear valores: isso mostra a novidade dessa nova edição feita pelos Coen: induzir ao personagem de Bridges o desapego ao homem totalmente correto, a honradez parcial. A história do novo Bravura Indômita é simples, assim como o primeiro, contudo repleto de imagens espontâneas, diálogos soltos e honestos, um verdadeiro filme sem cinismo, rápido, porém com uma graça interiorizada. Isso tudo era esperado vindo dos criadores de Fargo - Uma Comédia de Erros (Fargo, 1996) e Queime Depois de Ler (Burn After Reading, 2008) assim como a atuação fabulosa de Bridges, e a nada coadjuvante Steinfeld. Mesmo com a produção de Bravura se mostrar tão simpática à técnica dos Coen, esse é um filme diferente dos trabalhos dos irmãos que mostraram criatividade e perspectiva num cinema criado por eles mesmos, onde cada personagem não conhece os acontecimentos que virão, e são, na maioria das vezes, surpreendidos por uma situação anormal. Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men, 2007), aquele tão agraciado no Oscar de 2007, é a máxima imagem do que os diretores querem passar aos espectadores.

Não se pode negar diante dos fatos a superioridade deste de 2010 com aquele de 1969, sendo que a ideia das duas películas não são as mesmas. Criticar o Bravura dos Coen têm de ser feita não levando em conta a edição anterior, quando eles mesmo puseram em praxe que "os dois filmes são adaptações do livro de Charles Portis, e é ele o motivador da realização deste filme", que eles insistem em negar ser uma refilmagem. Em meio a todas as possibilidades comparativas, não existe aqui nada em que se possa inferir, sendo que todos os quadros e indevidamente todas as particularidades tornam-se pessoais nas mãos dos Coen. Os dois, na verdade, são verdadeiros expoentes da personalidade cinematográfica. Apesar da derrota esmagadora em 2011, foi gratificante ver o reconhecimento da Academia com este grande filme. 

Avaliação: 8/10





Trailer:

sexta-feira, maio 25

Crítica: Flores do Oriente (2011)


Yimou Zhang é um dos diretores do cinema chinês mais bem sucedido durante os últimos anos, em grande parte graças ao sucesso internacional de alguns de seus filmes como Herói (Ying Xiong, 2002) , Clã das Adagas Voadoras (Shi mian mai fu, 2004) e A Maldição da flor Dourada (Man Cheng Jin Dai Huang Jin Jia, 2006), Zhang não economiza na produção, literalmente, tanto que Maldição da flor Dourada foi ,na sua época de lançamento, o filme mais caro já produzido na China. O cinema desse realizador asiático é marcado por direção de arte luxuosa, cenários grandiosos, fotografia estilizada marcado pelo uso de filtros para destacar as cores em tons fortes e figurino espalhafatoso, por vezes chega a ser carnavalesco.

Em Flores do Oriente (Jin líng shí san chai, 2011) os adereços  falam mais alto que o roteiro, ou mais precisamente, tentam embelezar um roteiro que não tem nada de novo para oferecer ao espectador, na trama que se passa na China, durante a década de 30, podemos dizer que, um norte-americano (Christian Bale) acaba trancado em uma igreja, para se proteger da guerra, e então adota indenidade de padre para  tenta ajudar as vítimas da batalha, várias prostitutas e estudantes que convivem com o medo de serem violadas e assassinadas pelos soldados japoneses, não vou entrar em detalhes de como a situação se estabelece para não soltar nenhum spoiler.

Logo o que temos aqui é um filme de guerra, encenado da maneira mais espetaculosa imaginável, o interesse não esta no confronto na batalha ou nas pessoas que participaram ou sofrem seus efeitos, mas no seu potencial de impressionar pelas explosões, sofrimento e pelo idéia de heroísmo forçada retratada por olhar pomposo, por vezes  lembra um sub - O Resgate do Soldado Ryan (Private Ryan, 1998).

O direto não tem nenhum interesse em fazer nenhum comentário sobre a guerra e o papel  da China e do Japão, de um maneira mais aprofundada, geopolítica ou critica; os personagens chineses mais freqüentes no filme são as mulheres, as prostitutas e as estudantes, que são retratadas como seres frágeis e altamente dependentes de proteção, a presença de soldado chineses e pouca no filme, mas quando ele surge são retratados como bravos guerreiros dispostos a sacrificar pelo seu país enquanto os japoneses são retratados como violentos e toscos, não que seja intenção do diretor mostrar que a China foi uma vitima e o Japão um vilão durante a invasão de  Nanquim, pois o filme não tem nenhum interesse em fazer o comentário histórico, só de estabelecer seus heróis e vilões da maneira mais clichê possível .

No meio dos horrores da guerra o bravo ocidental que vai tomar para si missão de proteger as frágeis mulheres chinesas, vai descobrir o amor, o mais nobre dos sentimentos, é novamente os clichê falam mais alto, não sou daqueles que pensam que os clichês estragam o filme, mas sou daqueles que pensam que o clichês deve ter um bom tratamento para dar algum fôlego novo ao filme, e esse não o caso de “Flores do Oriente” que segue a cartilha de lugar-comum dos épicos românticos de guerra, e bem provável que o espectador com mais bagagem já antecipe o destino dos personagens  a partir de um certo ponto da trama, mas aqueles que só querem um novelinha água-com-açúcar  vai gostar, até porquê o filme parece ser feito sob-medida para agradar esse público.

Mas o filme ainda tem suas qualidades, Christian Bale, como se espera sai bem, e a fotografia é muito bonita, além de ter uns dois planos-seqüência bem filmados, até porquê esse não é nem um filme ruim, mas só um esquecível e irregular filme onde há muita alegoria e pouco enredo.

Avaliação: 5/10



segunda-feira, maio 21

Crítica: O Corvo (2012)


O poeta Edgar Allan Poe foi uma figura fascinante, cuja personalidade vão muito além de suas obras, consideradas precursoras do gênero policial.  Polêmico em sua vida e morte, cujo diagnóstico é ainda incerto e aberto a possibilidades, é curioso perceber que o roteiro de Ben Livingston (estreante) e Hannah Shakespeare (“Obsessão”) se aproveite de tal “brecha histórica” para iniciar o longa, quando, num flash forwad, observamos Cusack pálido num banco de parque. A sequência é promissora, com um primeiro ato que apresenta áurea e ritmo dignos de um bom suspense. Pena que a qualidade do script e o novo trabalho do diretor James McTeigue logo mostrem-se incrivelmente óbvios (a todo momento, um corvo surge na tela) e inferiores a outras outras do gênero.

“O Corvo” até conta com uma premissa interessante e bem amarrada com relatos históricos: Edgar Allan Poe (John Cusack) é um poeta alcoólatra e temperamental que vive uma crise de inspiração (e financeira, por extensão) para criar seus populares romances policiais, o que faz um de seus fãs seguir um rastro de morte inspirado em seus livros. Ciente disso, o agente responsável pelo caso (Luke Evans) solicita ajuda a Poe, envolvimento que fica ainda mais perigoso quando o romancista é empelido a criar novos textos em que o serial killer possa se basear.

Em sua curta carreira como diretor (“V de Vingança”, “Invasores” e “Ninja Assassino”), James McTeigue nunca mostrou-se um talento inventivo, mas aqui a obviedade em sua narrativa salta aos olhos. Closes em corvos ocorrem o tempo todo, o que em vez da inspiração no gótico que movia Poe, demonstra o didatismo e a insegurança de McTeigue. Preferível seria o investimento no terror psicológico, característica latente na obra do romancista estadunidense, mas o que vemos é um suspense frágil, bem próximo de um “terrir” pouco inspirado.

Nada experiente, a dupla roteirista estereotipa seu protagonista como um alcoólatra que “bebe pra aliviar a timidez”, um brigão que desfere impropérios rebuscados (“filisteu” é uma das pérolas), creio que numa tentativa de fazer com que o papel se encaixasse melhor em Cusack, que em vez de caracterizado, está fantasiado de Edgar Allan Poe. O tiro, porém, sai pela culatra, pois além de não nos envolver na fita, tal aspecto o torna parecido com a franquia “Sherlock Holmes”, de Guy Ritchie, que mesmo não sendo espetacular, se mostra sensivelmente melhor que esse filme, das gags aos “enigmas” . Aliás, o tempo todo nos lembramos, invevitavelmente, de outras obras recentes que se encaixam no mesmo perfil , como “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” e “Do Inferno”. Até mesmo o terror “Jogos Mortais” nos vem à mente, quando nos deparamos com uma máquina de tortura muito semelhante a uma (ou duas) já utilizada(s) na cinessérie.

Assim como a premissa atraente, o roteiro vai bem ao citar organicamente uma curiosidade (às quais sou afeito), sobre a venda do poema O Corvo por 9 dólares, e ao descrever Griswold como “pessoa de trabalho fácil” por seu um crítico literário – como que prevendo as críticas negativas que receberia -, mas falha em sua construção extremamente convencional, que por medo de ousar acaba indo contra tudo que pregava Edgar Allan Poe, opositor ferrenho de materiais óbvios. Assim, é lastimável notar que tanto James McTeigue parece se inspirar em Tim Burton como John Cusack faz um mix malsucedido de Johnny Depp e Robert Downey Jr., nas referências citadas anteriormente, levando a obra a um nível de mediocridade que faria Poe renegar tal “homenagem”.

Avaliação: 5/10


domingo, maio 20

Crítica: Plano de Fuga (2012)


Peguem o Gringo!

"Um motorista é preso com uma grana na fronteira com o México. Dali vai parar em uma prisão, que mais parece uma cidade de tão grande que é, comandada por um chefão que vive feito um rei. O motorista termina ficando amigo de uma criança, que mora na prisão, e enceta um plano de fuga audacioso."

Esta é a sinopse do mais novo filme estrelado e co-roterizado por Mel Gibson e lançado no mercado americano diretamente em video: Plano de Fuga (2012).

Aos 56 anos, Gibson surge em tela numa cena inaugural de perseguição que rivaliza com as aberturas de James Bond para provar bastante vigor físico e encarnar o típico herói de filmes do gênero de ação que o consagrou em obras como Máquina Mortífera.

Sem se entregar a grandes explosões, mas mantendo um ritmo ágil com uma trilha sonora mexicana bastante competente, o longa retrata de forma limpa e imparcial o horror das pobres prisões do México, que são colocadas aqui como especialmente imundas e violentas. Para quem assiste o filme, é possivel tanto acompanhar a ação desenfreada que corre na tela como também é facultado ao espectador notar o tenebroso cenário de uma degradante penitenciária e suas mazelas.

Nisto o diretor estreante Adrian Grunberg se mostra particularmente bem sucedido. O assistente de direção de Apocalypto, também com Mel Gibson, utiliza de tomadas rasantes e cortes rápidos para tornar a trama ágil, mas não deixa de pontuar o cenário vulgar e sujo no qual o longa é ambientado.
A estória é bastante comum, mas nem por isso desinteressante. A forma dinâmica como o roteiro é conduzido, sempre com um humor sarcástico e leveza em momentos críticos, torna as motivações do protagonista válidas e não força situações mirabolantes para ser bem sucedido e engraçado. Trata-se de um filme de ação que se percebe como tal em sua função de entreter.

Corrupção, política, violência, crimes, perseguições e mortes formam o mote no qual o protagonista parece bem ambientado, tendo em vista a sua vida criminosa pregressa e suas habilidades para racionar rapidamente e agir de forma furtiva em seus crimes. Vivendo este talentoso assaltante, que é um cananstrão de primeira, Gibson demonstra estar em plena forma física e profissional, conduzindo simpatia ao público e deixando os coadjuvantes brilharem, especialmente o pequeno Kevin Hernandez.

Vale a sessão!

Avaliação: 8/10